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segunda-feira, 6 de abril de 2009

PROSTITUIÇÃO

Prostituição aumenta mas faltam os clientes

Profissionais e associações dizem que a crise afecta sobretudo a procura. Mas também há quem recorra à prostituição, em 'part-time', para aumentar rendimentos.

Os clientes estão a diminuir devido à actual conjuntura económica, queixa-se quem se prostitui, sejam mulheres, homens ou transexuais, alguns dos quais acabam por emigrar. E, ao mesmo tempo, há quem tenha recorrido à prostituição de rua para completar os rendimentos ou substituir o emprego perdido. A justificação é a mesma: crise.

As associações de apoio a esta população dizem que a situação económica difícil tem afectado principalmente a procura. "As mulheres queixam-se que não têm clientes", refere Jorge Martins, coordenador do Centro de Encontro e de Apoio a Prostitutos e Prostitutas do Porto. É também esta a percepção do movimento Panteras Rosas, que tem um equipa na rua Conde Redondo, em Lisboa.

"A prostituição no Conde Redondo é sobretudo de transexuais e, como diminuíram os clientes, estes acabam por procurar outras cidades, como Paris e Madrid", refere um dos activista das Panteras, preferindo não se identificar por razões "de segurança". Em relação às mulheres, estima que exista diminuição de 30%.

A situação da rua Conde Redondo parece ser, de facto, sui generis. É que em outras artérias da cidade se tem assistido a uma maior visibilidade da prostituição. "Obviamente que para estes grupos excluídos, habitualmente com dificuldades económicas, a crise pode potenciar o recurso à prostituição, mas não podemos dizer que uma mulher entra na prostituição apenas por razões económicas. Há um conjunto de factores que a levam a prostituir-se", argumenta Hélder Vicente, técnico da Obra Social das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, coordenador das equipas de rua.

A perda do emprego, um emprego precário ou a dependência de um apoio social podem levar a mulher a tentar melhorar os rendimentos recorrendo à prostituição. E Hélder Vicente diz sentir uma maior visibilidade das mulheres que se prostituem em part-time, o que representa uma pequena fatia deste fenómeno, cerca de 15%.

E se Jorge Martins não tem visto mais mulheres a prostituírem-se no Porto, o mesmo já não acontece com os homens. "Verifica-se um aumento da prostituição masculina, pelo menos têm mais visibilidade", explica. Diz ser difícil estabelecer uma causa, embora acredite que "estes casos podem ter a ver com a perda de emprego e indirectamente com a crise".

in dn

sábado, 7 de março de 2009

SALÁRIOS NO FEMININO

Uma em cada dez mulheres ganha o salário mínimo

Salários. O salário mínimo tem muito maior incidência entre as mulheres: 9,7% são abrangidas, contra 4,6% de homens. Os dados do Governo sugerem que a disparidade no rendimento médio terá estabilizado nos últimos anos. Já os números do INE apontam para um agravamento

Nos homens, a proporção é de um em cada 20

Uma em cada dez mulheres ganha o salário mínimo. Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho, relativos a Abril de 2008, apontam para uma forte disparidade na incidência do rendimento mais baixo: 9,7% das mulheres, contra 4,6% nos homens. Com o aumento do salário mínimo no início do ano para 450 euros, esta proporção terá subido.

Esta maior incidência do salário mínimo sobre as mulheres poderá estar relacionada com as actividades em que é mais frequente: no alojamento e restauração (11% dos que trabalham a tempo completo por conta de outrem), na indústria transformadora (8,4%) e no comércio (7,9%).

Portugal é, tradicionalmente, um dos países onde a disparidade a este nível é mais acentuada. Em 2007, com um diferencial entre géneros de 4,3 pontos percentuais, Portugal era o segundo país com maior disparidade, mostram dados do Eurostat. A comparação, referida no último relatório de conjuntura do Ministério do Trabalho, mostra que só o Luxemburgo superava essa diferença, num conjunto de 15 países analisados.

O nível de rendimento assegurado por estes dois países é, contudo, completamente distinto: apesar do acordo assinado entre o Governo e os parceiros sociais, que tem garantido aumentos acima da inflação, o valor do salário mínimo português continua a ser o mais baixo na Zona Euro, quer a comparação seja feita em termos absolutos quer em paridade de poderes de compra. O Luxemburgo, pelo contrário, garante o valor mais elevado na Europa (1570 euros por mês), revela um estudo do gabinete estatístico da União Europeia.

Desigualdade persiste?

Como tem evoluído a disparidade entre o rendimentos médio de homens e mulheres? Os dados do Governo apontam para uma relativa estabilização, enquanto a informação do Instituto Nacional de Estatística (INE) denuncia um agravamento.

Segundo a informação do Gabinete de Estratégia e Planeamento (Ministério do Trabalho), em Abril do ano passado os homens ganhavam, em média, 1186 euros, enquanto as mulheres recebiam 895 euros por mês. As trabalhadoras ganhavam 75,4% do que ganhavam os homens. Esta proporção representa um ligeiro aumento face a 2007 (duas décimas), mas uma redução face a 2004. Estes dados referem-se aos ganhos, ou seja, ao montante ilíquido, antes da dedução de contribuições e impostos, que inclui prémios e todo o tipo de subsídios. Já a informação do Instituto Nacional de Estatística (INE), que apresenta valores diferentes, refere-se ao rendimento líquido e sugere um agravamento nas diferenças salariais.

No ano passado, segundo dados apurados no Inquérito ao Emprego, as mulheres recebiam, em média, 670 euros por mês, correspondente a 81,9% do que o que ganhavam os homens. Em 2005, a proporção chegou a ser de 84,7%, mas desde então tem vindo progressivamente a descer.

in diário de noticias

sexta-feira, 6 de março de 2009

BRAILLE EM CATÁLOGOS DE LEILÕES

Lelioeira portuguesa anuncia primeiro catálogo em Braille

UM BOM EXEMPLO!
APESAR DA EVOLUÇÃO SER LENTA...

A empresa Leiria & Nascimento anunciou que vai editar o primeiro catálogo de um leilão em Braille a nível mundial, referente a um conjunto de instrumentos musicais que vai levar à praça numa inciativa inédita em Portugal.

O leilão dos 115 lotes de instrumentos musicais, partituras antigas e discos de música clássica em vinil está marcado para 19 de Março, às 21:30, na Leiria & Nascimento, na Rua de Santo António, na zona da Estrela, em Lisboa.

Na mostra que antecede o leilão, o público interessado poderá manusear os instrumentos musicais numa exposição interactiva, que inaugura a 15 de Março, às 15:00 horas, e ficará patente até ao dia do leilão.

Maria Lacerda, responsável da leiloeira, disse que este «será o primeiro leilão de instrumentos musicais do País, acompanhado pelo primeiro catálogo em Braille a nível mundial». A leiloeira pensou em complementar o catálogo habitual com um catálogo em Braille, «para que os invisuais tenham também acesso às informações sobre os instrumentos que estarão disponíveis» no leilão, explicou a responsável.

Os lotes são compostos sobretudo por instrumentos musicais antigos, pianos, pianolas, cítaras, harpas, violinos, e também baterias e algumas guitarras eléctricas. O piano mais caro terá uma base de licitação entre os oito e 12 mil euros, enquanto nos instrumentos mais acessíveis está uma cítara de mesa entre os 50 e 80 euros.

Na criação do catálogo, a Leiria & Nascimento teve a colaboração do professor Ricardo Branco e do músico Pedro Caldeira Cabral.


in diário digital

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CEREBRO PREGUIÇOSO

Aparelhos criam cérebros preguiçosos

Má reserva cognitiva pode acelerar a ocorrência de doenças neurodegenerativas. Criançasque só interagem com máquinas arriscam-se a sofrer de distorções verbais e até de epilepsia

O uso desregrado das novas tecnologias pode ser meio caminho andado para uma má memória na velhice. O cérebro, não sendo um músculo, comporta-se como tal. Se não for usado, enferruja, alertam os especialistas.

"Se não se fizer alguma coisa já, teremos uma geração onde imperará a lei do menor esforço. Estamos a ficar escravos das máquinas. Sem estimulação, o cérebro ficará mais preguiçoso", alerta Manuel Domingos, coordenador da Unidade de Neuropsicologia do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, e presidente da Comissão Científica da Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia.

O cérebro parece estar a cair em desuso para muitas tarefas. Graças ao telemóvel, não é necessário memorizar números. As caixas registadoras fazem os trocos, enquanto o GPS retira a necessidade de ter "mapas mentais" ou pontos de referência. Poupa-se no cálculo e no raciocínio e corre-se o risco de alterar o funcionamento do cérebro, gerando massas cinzentas apáticas, atrofiadas.

Para o neuropsicólogo, as crianças são o grupo de maior risco. Na escola, o cálculo mental anda muito substituído pela calculadora. Em casa, são as consolas, os computadores e a televisão que captam as atenções, porque é mais seguro brincar em casa ou por falta de tempo dos pais, mergulhados nas lides domésticas.

Os circuitos cerebrais envolvidos na interacção com os outros ficam relegados para segundo plano, critica, por seu turno, Ana Queiroz, psicóloga no Porto. A má socialização, o isolamento, as distorções verbais, a dificuldade em interpretar mensagens verbais e de expressão são algumas das consequências nocivas para as crianças decorrentes dos excessos. A estes malefícios acrescem os casos extremos de fotossensibilidade, que podem até descarrilar em crises de epilepsia, quando os monitores passam a ser a única companhia diária.

"A culpa é da sociedade e dos planos de ensino, pelo mau uso que se dá às novas tecnologias e por não se estimular mais o cálculo mental. A escolaridade básica está a ficar muito dependente, escrava da maquinaria", diz o neuropsicólogo Manuel Domingos.

"Em vez de se fazer uma multiaprendizagem, restringem-se as actividades, penalizando a aprendizagem futura", reforça Ana Queiroz, lembrando a facilidade com que uma criança é capaz de aprender duas línguas em simultâneo e como pode ser demorado e difícil alfabetizar um adulto.

Na óptica dos especialistas, exercitar os neurónios enriquece o cérebro. É uma espécie de "seguro" de vida. Uma boa ou má reserva cognitiva será uma defesa ou um risco para a vida futura.

"Fala-se da estimulação cognitiva para prevenir doenças degenerativas, utiliza-se a mesma nessas doenças como forma de atrasar o processo. No entanto, no dia-a-dia, com todos os facilitismos à disposição, não implementamos comportamentos que nos ajudariam a manter as nossa capacidades em constante desenvolvimento. Prevenir nunca fez mal a ninguém", sustenta Ana Queiroz.

in jornal de notícias

sábado, 14 de fevereiro de 2009

IDOSOS ABADONADOS

São às dezenas os idosos deixados no Serviço de Urgência durante o Natal, sem outro motivo que não o comodismo dos familiares, que querem passar a 'quadra' sem muitos trabalhos Dezenas de idosos são todos os anos deixados no Serviço de Urgência do Hospital Central do Funchal (HCF) na época de Natal. Por razões que nada têm a ver com doenças, mas sim por mero comodismo dos familiares.

Não são altas problemáticas - um drama com que o Serviço Regional de Saúde (SRS) se debate durante todo o ano -, mas abandonos temporários que, à medida que o Natal se aproxima, "agudizam-se" à porta das urgências, onde chegam dezenas de idosos nestas circunstâncias. "Nesta fase [de Natal], esta espécie de alta problemática é mais aguda, e acaba, na maioria, por ficar resolvida em Janeiro, quando os familiares vão buscar os idosos", explicou o director clínico do HCF, Miguel Ferreira.

O perfil destes idosos varia, desde pessoas que, mesmo sendo acompanhadas por familiares, vivem sozinhas, a outras, acamadas, que obrigam a cuidados continuados. "Não quero estar aqui a fazer juízos de valor, mas penso que estas situações acontecem porque os familiares querem ter mais disponibilidade para o Natal, e o hospital acaba por ser um escape", acrescenta Miguel Ferreira, lembrando que o SRS está a apostar no aumento da resposta da Rede Regional de Cuidados Continuados e Integrados (RRCCI).

O responsável por esta Rede, França Gomes, conhece de perto esta realidade. Sarcástico, diz que isto acontece devido ao "espírito natalício" e que o mal não é exclusivamente madeirense, mas sim português. "As pessoas ficam 'imbuídas' do espírito natalício e querem livrar-se dos pesos que estão em casa, para poderem ir jantar fora à-vontade", critica o ex-presidente da Ordem dos Médicos na Madeira.

França Gomes diz que podemos falar em "dezenas" de idosos nesta situação, para não falarmos numa "centena", enquanto Miguel Ferreira reconhece que o SRS tem poucos mecanismos para contrariar esta situação. "O que nós fazemos em relação às altas problemáticas é contactar a assistência social, para que possam ser encontrados os familiares destes idosos, mas, nestes casos, normalmente esperamos até Janeiro, já que a maioria regressa a casa após o Natal", diz o director clínico do HCF.

Até lá, o Serviço de Urgência é a 'porta de entrada' para estes idosos, e muitas vezes também a sala de espera. Segunda-feira, por exemplo, perto de duas dezenas de idosos dormiu nas urgências, a aguardar vaga no Hospital dos Marmeleiros. "A nossa capacidade é naturalmente limitada, e por isso vamos distribuindo as pessoas pelos serviços onde há vaga", diz Miguel Ferreira, acrescentando que existem também muitos internamentos motivados por casos clínicos. "O Inverno é sempre um problema para os idosos, que são mais frágeis à descida de temperatura", frisa Pedro Ramos, um dos responsáveis pelo Serviço de Urgência.

Já a RRCCI, lembra França Gomes, não é a resposta para estes casos. "A Rede foi criada para acolher idosos em fase intermédia de recuperação, não para estas altas problemáticas natalícias". Mesmo assim, a RRCCI vai aumentar a capacidade. Em Abril deverão estar disponíveis mais 30 camas no concelho do Funchal, e o objectivo é estender a Rede para concelhos que ainda não estão abrangidos, como Câmara de Lobos, Machico, Santa Cruz e Porto Santo. Os dois primeiros, segundo França Gomes, são prioritários, e já no próximo ano, o concelho de Machico, com a inauguração do novo Centro de Saúde do Porto da Cruz, deverá contar com seis camas.

in Diário de Notícias da Madeira 21 de Dezembro de 2008

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

PAIS, FILHOS E CASA

Portugueses começam a trabalhar cedo, mas ficam até tarde em casa dos pais

Estudo mostra que cidadãos nacionais entram no mercado de trabalho aos 18, mas só mais tarde começam a viver sozinhos e depois casam e têm filhos

Os portugueses são os europeus que começam a trabalhar mais cedo, mas estão entre os que saem mais tarde de casa dos pais, revela o Inquérito Social Europeu, um estudo que desde 2001 compara os valores e atitudes sociais na Europa.

A terceira fase do inquérito, iniciada em 2006 e apresentada no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa esta quinta-feira, indica que «Portugal é o país onde, em média, a primeira experiência laboral acontece mais cedo, em torno dos 17,7 anos».

A partir de entrevistas face-a-face realizadas em casa de 2.222 portugueses, entre Outubro de 2006 e Fevereiro de 2007, o ESS III (na sigla em inglês) conclui que as «entradas no mercado de trabalho mais precoces não se traduzem, no entanto, em imediata transição residencial».

Em Portugal, a saída de casa dos pais só ocorre, em média, quatro anos depois da primeira experiência laboral, ou seja, aos 21 anos.

Tendências dos outros países

A idade para a entrada no mercado de trabalho em Portugal está muito perto da média do que acontece na Alemanha e na Suíça, ligeiramente abaixo dos 18 anos, mas no extremo oposto de países com sistemas de ensino obrigatório mais longos e consolidados há mais tempo, como a Estónia, a Eslovénia e a Bulgária, onde o primeiro emprego só aparece depois dos 20 anos de idade.

«Já na Bulgária ou no Chipre, à entrada no mercado de trabalho, apesar de tardia, sucede a independência da casa parental, não chegando a um ano o intervalo que medeia essas transições», refere o estudo desenvolvido em países comunitários e não-comunitários.

A Estónia é o único país onde esta transição é «invertida», ou seja, o abandono da casa dos pais acontece mesmo antes da entrada no mercado de trabalho.

Nos países nórdicos como a Noruega, a Dinamarca e a Suécia, as experiências de entrada no mercado de trabalho e de saída de casa dos pais tendem a ser praticamente simultâneas, sendo estes os países onde a independência residencial tende a ocorrer mais cedo na Europa, dentro da casa dos 19 anos.

Vivem sozinhos e casam dois anos depois

Ainda no capítulo «Os Tempos de Vida», o inquérito revela que os portugueses esperam, em média, dois anos depois da saída de casa dos pais para a primeira experiência de conjugalidade, que na maior parte dos casos coincide com o primeiro casamento.

Mas se os portugueses avançam decididamente para o casamento, o mesmo já não acontece com a constituição de família. Segundo o estudo, Portugal, Holanda e Bélgica são «os países onde os inquiridos revelam mais tempo a tomar a decisão de ter o primeiro filho, depois de consagrado o casamento formal».

No caso dos países nórdicos, ao contrário, a transição do primeiro casamento para o primeiro filho é «justaposta, revelando que o casamento, quando acontece, tende a estar associado à constituição de uma família, depois de um período de experimentação conjugal a dois».

Só é aceitável viver em casa dos pais até aos 30 anos

O estudo procurou também descobrir até que ponto se continuam a apontar idades ideais para casar, ter filhos ou sair de casa dos pais.

«Genericamente, ter relações sexuais antes dos 16 anos, viver com um parceiro antes dos 18 ou ter um filho antes dos 20 constituem eventos normativamente transgressores face ao padrão aceitável de ciclo de vida», refere.

Para a maioria dos portugueses, só é aceitável continuar a viver em casa dos pais até aos 30 anos idade.

in iol diário