quinta-feira, 19 de março de 2009

PAPA BENTO XVI


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É DEMASIADO REVOLTANTE!!!!!!!!!!


Angola/Papa: Preservativos não são solução, mas podem ajudar a resolver problema da sida – clero


Lisboa, 17 Mar (Lusa) - Responsáveis da Igreja Católica portuguesa admitiram que "em condições extremas" os preservativos podem ajudar a resolver o problema da sida, ressalvando, porém, que o combate à epidemia passa "antes de mais pela educação" do que pela utilização de contraceptivos.

Em declarações à Agência Lusa, D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas e das Forças Policiais, concordou que a "solução para o problema da sida não passa pela distribuição de preservativos", salientando, no entanto, que na luta contra um inimigo letal, como é o vírus do HIV/Sida, a Igreja Católica tem de estar sempre "do lado da vida".

"Não pode haver uma concepção genérica, há situações tão graves de infecção que levam à morte e por isso defendo a cultura da vida, como também sou contra a tortura e a pena de morte e contra o aborto", disse o prelado, na sequência das declarações proferidas hoje pelo Papa Bento XVI, antes de iniciar o seu périplo por África.

Opinião partilhada pelo padre Manuel Morujão, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, que sublinhou que "não é facilitando por essa maneira [utilização de preservativos] que se ultrapassa o problema da propagação da doença".

"Isto tem que acontecer pela educação das pessoas. Não se pode dizer 'façam como entenderem', temos um instrumento mágico que liberta as pessoas da sida", frisou.

Horas antes de aterrar na capital dos Camarões para a sua primeira visita ao Continente Africano, o pontífice falou hoje, pela primeira vez, explicitamente sobre o uso de preservativos, defendendo que a solução para o flagelo da sida não passa pela distribuição destes contraceptivos.

Segundo Bento XVI, a "sua utilização, pelo contrário, agrava o problema".

Apesar de compreender que "há casos limite em que essas condições ideais não se verificam", Manuel Morujão destacou que a "orientação a nível da doutrina deve ser essa".

No entanto, o secretário da Conferência Episcopal afirmou que a utilização dos preservativos pode fazer "parte do caminho rumo a uma solução", sobretudo em casos extremos, mas sublinhou que "não se pode entrar no caminho do facilitismo", considerando que isso "seria enganar as pessoas".

"Existe compreensão para os casos que não possam cumprir o que a Igreja dita como sendo ideal. Há essa tolerância, mas a compreensão dos casos particulares não deve baixar a fasquia da exigência", defendeu Manuel Morujão.

Contactado pela Lusa, D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e arcebispo de Braga, que quarta-feira viaja para Angola, evitou comentar as declarações do Papa, alegando não conhecer as afirmações do pontífice "na íntegra e no contexto em que foram ditas".

A Igreja Católica, que se afirma na linha da frente do combate à sida, encoraja a abstinência para impedir a propagação da doença. No entanto, padres e freiras que trabalham com vítimas da sida em África questionam a posição da Igreja contra o preservativo.


in Lusa

2 comentários:

Daniel C.da Silva disse...

Bem, como fan que sou do Star wars, deixa-me antes de mais dizer como adorei a imagem ;)

Mas quanto ao que se passou, realmanete são umas atrás das outras, mas sem querer defender o Papa, repare-se o que aconteceu com o bispo que praticamente negava o holocausto nazi, e só depois o Papa veio a saber dos seus pensamentos pseudo_historicos e nao aceitou as desculpas que o bispo fez ao Vaticano porque as não fez ao mundo em geral e aos judeus em particular.

Este Papa sofre de alguma ingenuidade. Também não podemos querer dele a perfeição. Tem responsabilidades acrescidas mas também na universidade de Ratisbona foi (muito) mal interpretado. Falava como um académico no meio de outros tantos e depois a comunicação social empola apenas o que lhe interessa e veste as palavras no papa e não apenas no homem e teólogo que também é.

Sobre este caso dos preservativos, eu penso que ele se referia ao mal em si, ou seja, não é o mal em si que lhe aflige, porque ele existe se concorrermos para ele. Ele segue a apenas a posição oficial da Igreja (que não é completamente dogmática, atenção, estamos a falar de normas gerais, tal como no aborto é admitido pelo Vaticano (Direito canónico)nas mesmas circunstancias do Direito Civil.

Ou seja, eu penso que ele se esquece do problema africano onde a disseminação da Sida é qualquer coisa de perturbante, mas continua a insistir no efeito e não na causa (que tem a sua lógica mas não neste continente em particular), e que é, evitem promiscuidades, evitem parceiros a rodos, sejam monogâmicos que a Sida nunca vos atingirá... Porque a Sida não é o cancro que pode apanhar qualquer um.

Foram palavras infelizes, estas do Papa, mas penso que percebi a ingenuidade porque vê o problema apenas na perspectiva de que se se fica doente é porque se tem comportamentos de risco e falta de valores, o que é inadmissível à luz da Igreja.


Hugs

Daniel C.da Silva disse...

Transcrevo um comentário que acabo de ver num blogue sobre a celeuma do preservativo e o Papa. A minha opinião ja foi transmitida e nao volto ao tema. A Sida nao se combate com palavras mas também nao se deve fomentar uma cultura de desresponsabilizaçao apenas em nome sabe-se lá de quê. A Sida nao se erradica com preservativos mas com uma mudança de mentalidades. Até lá, o preservativo terá de ser a pseudo-solução para que nao haja mais infectados. Mas entendo as palavras do Papa, como Vasco Pulido Valente de outra maneira entendeu.
Hoje no Público, escreve ele assim:

Os valores de Bento XVI não são os valores de um governo, de uma ONG ou de um indivíduo que tenta limitar o imenso desastre da sida em África. São valores de outra ordem. São valores de uma ordem religiosa, que cada vez menos se percebem ou respeitam no Ocidente. Não vale por isso a pena discutir a moral sexual da Igreja (e do Papa). Vale a pena garantir que ela não invade a esfera da liberdade civil. Ora Ratzinger não andou por África a pedir que se proibisse o preservativo. Pediu aos católicos que prescindissem dele, em nome de uma perfeição que os católicos escolheram procurar. A influência dele é, neste capítulo, deletéria? Inegavelmente. Convém que ela não alastre em África (e na Europa)? Sem a menor dúvida. Mas sem esquecer que o Papa está no seu direito e no seu papel.




Pense-se também no tamanho do destaque dado pelo jornal à notícia de hoje em que o Papa condena a rapina a que África é submetida nas suas riquezas naturais, e o destaque dado a esta notícia do preservativo.