terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

SIC - A VIDA SECRETA DE SALAZAR

Historiadora arrasa série sobre Salazar

Estreia. Há quem defenda que a ficção não deve ter limites, mesmo que baseada em factos históricos. Há quem defenda que o rigor histórico e de época tem de ser respeitado acima de tudo. A estreia de 'A Vida Privada de Salazar', na SIC, serviu de ponto de partida para o debate

Historiadora arrasa série sobre Salazar
Só o diálogo com o futuro cardeal Cerejeira e a proibição da família Perestrelo que, por razões de classe, impede o relacionamento entre o jovem Salazar e a filha Julinha têm rigor histórico. Esta é a opinião da historiadora Irene Pimentel sobre a estreia, no domingo, da minissérie da SIC A Vida Privada de Salazar.

"Achei a série altamente especulativa. Duvido muito que muitas das histórias contadas se tenham passado de facto", afirma ao DN Irene Pimentel. Apesar de deixar bem claro que não é crítica de televisão, a historiadora defende que "os diálogos são pouco ricos" e aponta alguns aspectos "muito preguiçosos da produção": "diálogos pouco ricos, as figuras de 1905 não falavam assim e não se vestiam nem se movimentavam da forma apresentada, o sotaque lisboeta das meninas da Beira e ainda o sotaque ora beirão ora lisboeta de Salazar".

Resumindo, Irene Pimentel afirma que considerou o episódio de domingo "enfadonho", "um rol de relacionamentos com mulheres, sem qualquer contextualização histórica, que não dá a ideia da importância política de Salazar no século XX português".

Nuno Santos, director de Programas da SIC, manifestou a sua crença que a série poderia liderar as audiências. Mas isso não aconteceu. No entanto, Jorge Queiroga, realizador da série, classificou os resultados alcançados como "excelentes". Quanto à falta de contextualização da acção política, assume que não era esse o objectivo da série. "O que pretendíamos era abordar o lado mais pessoal da vida de Salazar, de uma forma desempoeirada", explica.

Tal como Irene Pimentel, que defende que se pode ficcionar, mas sem especulação, Moita Flores, que já assinou vários argumentos de séries de época, considera que "não se pode perder de vista os factos históricos".

Helena Matos, consultora histórica da série Conta-me como Foi, da RTP1, tem uma visão bem diferente. "Acho que não há limites para a ficção. Não se pode esperar aprender história só porque se vê uma série ou uma peça de teatro baseada em factos históricos", disse ao DN.

Referindo anteriores reacções críticas relativamente a peças de teatro baseadas em factos históricos, Helena Matos considera que "o problema é termos pouca ficção. Se tivéssemos mais, já não haveria este tipo de discussões", conclui.
in diário de notícias

2 comentários:

Alberto Velez Grilo disse...

Interessante esta notícia.

Devo começar por dizer que não vi a série em questão. Porquê? Em primeiro lugar porque sendo na SIC (ou TVi) entra no jogo das audiências. Depois não tenho paciência para intervalos intermináveis.

Com base na notícia que aqui apresenta, sou levado a concordar em parte com a Irene Pimentel. Se a mesma afirma que há muitas imprecisão histórica, é certamente verdade. Não nos esqueçamos que o "Estado Novo" é a sua especialidade e tem obra publicada sobre esta período da História de Portugal.

Outra questão completamente é a ficção. Não sou contra a que se faça ficção com base em acontecimentos históricos.

Então. Qual é o problema?

O problema é que o "povo" não lê, não sabe história. O "povo" apenas vê televisão. E vê toda a "lixeira" apresentada pela SIC e pela TVi. Logo, mesmo senda esta uma obra de ficção, o "povo" vai ficar a pensar que assim aconteceu.

Ou seja, engana-se o povo, e perde-se uma oportunidade para se "cultivar" o mesmo.

Enfim... p "povo" e as TV's que temos

Peter disse...

Caro Alberto,
obrigado pelo seu comentário... subscrevo a sua opinião.